O processo de desenvolvimento mediúnico é bom?
– Maravilhoso!
E o processo de desenvolvimento como pessoa?
– É gostoso demais!
Mas será que isso agrada a todos ao nosso redor?
– Longe disso!
Essa é a parte que poucos comentam. O que vou compartilhar com vocês é algo muito óbvio, e, na minha opinião, é o caminho mais correto a seguir, mas isso não significa que seja fácil. Pelo contrário, é um processo que exige coragem, paciência e, acima de tudo, disposição para lidar com perdas e transformações.
O primeiro ponto que preciso destacar é sobre a religião em si.
Desde que iniciei meu caminho na espiritualidade, percebi o quanto muitas pessoas carregam preconceitos profundos. Basta mencionar que sigo determinada religião para que alguns se afastem de imediato, como se minhas crenças fossem um muro intransponível entre nós. Não é algo pessoal contra mim, mas sim contra aquilo que elas acreditam ser a religião – muitas vezes sem nunca terem buscado entender de fato.
Por outro lado, a religião também muda a forma como eu vejo o mundo. Passo a sentir e observar coisas que antes passavam despercebidas. Percebo energias, intenções e ambientes que simplesmente não me fazem bem. Com isso, acabo perdendo a vontade de estar com certas pessoas ou em determinados lugares. É um filtro natural que se cria, e, mesmo sendo doloroso, faz parte do crescimento.
O segundo ponto é ainda mais delicado: a sua evolução machuca as pessoas.
Sim, pode soar estranho, mas conforme você cresce, desperta e muda, alguns ao seu redor se sentem ameaçados. É como se a sua transformação fosse um espelho que eles não querem encarar. Você vai notar que certos comentários começam a surgir, críticas veladas ou até situações criadas para te desestabilizar emocionalmente.
A lógica diz: “Se essas pessoas agem assim, é melhor mantê-las longe.” E eu concordo plenamente. No entanto, quando essas pessoas incluem amigos de longa data ou até familiares, como aconteceu comigo, a história muda de figura. Não é tão simples virar as costas para alguém que fez parte da sua vida por anos. Existe afeto, existe história, e cortar esses laços pode ser um processo doloroso.
Hoje, estou vivendo exatamente essa fase. Estou aprendendo a me desligar de sentimentos que não me fazem bem e a cortar vínculos que, no fundo, já não têm mais espaço na minha jornada. Não é uma questão de orgulho ou superioridade, mas de preservar meu bem-estar e seguir meu caminho de forma saudável. É libertador, mas não deixa de ser difícil.
O desenvolvimento mediúnico e pessoal é um presente, mas como todo presente valioso, exige escolhas e renúncias. No fim, é sobre entender que nem todos caminharão ao seu lado – e está tudo bem assim.


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