Vamos começar pelo começo, certo?
Até perto dos 20 anos, eu era evangélico protestante. Nunca me adaptei bem à religião e, aos poucos, fui desenvolvendo uma grande repulsa. Hoje entendo que a culpa não é da religião em si, mas das atitudes desastrosas de muitos que se autoproclamam “homens de Deus”.
Durante minha jornada, passei por diversas igrejas — a maioria com um único objetivo: dinheiro.
Meu avô, um homem muito inteligente e ateu, também teve experiências de vida que o afastaram completamente de qualquer vínculo religioso. Já em idade avançada, fazia (e ainda faz) diversas brincadeiras contra Deus.
Foi nesse período que decidi abrir mão de qualquer religião e seguir o caminho solitário do ateísmo. Passei a acreditar que minha ética e meu senso de justiça deveriam ser julgados apenas nesta vida carnal. Mas eu não era aquele ateu que “não acredita”; eu apenas não me importava se Deus existia ou não. Costumava dizer:
“Se ele existir, me avaliar e me proibir de entrar — mesmo sem eu ter feito mal a ninguém, apenas por não acreditar nele — então talvez ele é quem não me mereça lá.”
Fiquei muitos anos em um relacionamento em que precisei sufocar meus sentimentos. A depressão da pessoa com quem eu estava podia explodir a qualquer momento. Contar coisas boas não alegrava; contar as ruins só piorava tudo. Então, me calei. Guardei tudo pra mim e me tornei alguém neutro.
Comecei a fazer terapia — algo que antes eu achava que era “coisa de maluco” (hahaha).
Mas adorei. A psicóloga começou a cavar fundo, mexendo em sentimentos e sensações que eu nem lembrava mais.
Até que fui surpreendido por um término inesperado, com uma justificativa dura:
“Acomodação financeira” — era isso que segurava a pessoa comigo.
Fiquei arrasado. Mas, ao mesmo tempo, não pensei duas vezes: me despedi e nunca mais a vi.
Apesar de tudo, sou uma pessoa muito decidida.


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