De ateu a umbandista #2

Eu ainda não havia contado, mas fiquei 10 anos sendo ateu.

Entrei numa fase da vida em que decidi “aproveitar”. Foram exatamente dois meses vivendo nas sombras e no caos. À primeira vista, parecia libertador… mas, por dentro, só aumentava a dor e o sofrimento.
Minha mente não silenciava. Meu corpo e minha alma pareciam em guerra.

Nesse processo turbulento, conheci uma pessoa incrível. Ela estava iniciando como médium numa casa que já frequentava há quatro anos. Estava em plena fase de descoberta e desenvolvimento espiritual. Em pouco tempo, começamos a namorar.

Ela me fez um convite — meio desconfiada, achando que eu recusaria. Minha resposta foi direta:
“Posso ir sim, pra conhecer. Difícil me ganhar, mas vamos.”

Fui pela primeira vez. Movido pelos preconceitos que carregava da sociedade e da antiga vivência evangélica, confesso que fiquei impressionado — tridentes, incorporações, mãos para trás… Era uma gira de Exú e Pombagira.

Na hora da consulta, fui atendido por Maria Padilha — uma entidade pela qual sou grato até hoje.
Foi simplesmente maravilhosa!
Falou tudo o que meu coração precisava ouvir… e sem ninguém ali me conhecer.

Mesmo assim, minhas descrenças persistiam. Mas continuei frequentando.
O ambiente era calmo, acolhedor.
Era um tempo só pra mim — algo que eu não conseguia ter em casa, com TV, computador, distrações.
Ali, eu finalmente tinha espaço para me escutar.

E então… veio a virada de chave.
Acreditem, aconteceu numa gira de Erês.

Logo que cheguei, vários Erês começaram a “cismar” comigo, me chamando sem parar pra dar doce, dizendo alto e em tom de brincadeira:
“Você é macumbeiro, hein!”

Mas não foi isso que me virou a chave.
O que realmente me transformou foi o que aconteceu com uma médium daquela gira.

Ela incorporou um Erê chamado Flechinha.
E esse Erê… correu por SEIS HORAS seguidas!
Era doce o tempo inteiro, alegria contagiante, energia absurda!
Aquilo me desmontou.

Fiquei em choque.
Na minha cabeça, a única coisa que ecoava era:
“Pera aí… isso não é possível!”

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