Depois de todo o meu processo de aceitação, comecei a frequentar a casa onde estou até hoje — um espaço maravilhoso. Meu terreiro, minha casa.
Após cerca de dois meses indo sem faltar, tudo mudou em uma tenda cigana. Naquele dia, eu estava especialmente focado. Passei o tempo inteiro em silêncio, observando a salamandra apagada, assistindo os ciganos incorporados realizando seus atendimentos. Recebi um passe maravilhoso, e tudo parecia conspirar para que aquele fosse um dia marcante.
Durante a gira, em meio à minha oração com a vela acesa nas mãos, entreguei minha vela ao altar. Foi nesse momento que todos os ciganos incorporados começaram a dançar, e os médiuns que ainda não estavam em terra passaram a incorporar.
Parecia um festival de dança, alegria e trabalho espiritual — uma energia contagiante, viva.
Foi então que uma senhora, médium da casa, veio em minha direção.
Estava toda vestida de roxo, com um véu no rosto.
Ela se aproximou com respeito, pediu licença e perguntou se poderia me dar um abraço.
Sem hesitar, aceitei.
Naquele instante, meu corpo inteiro começou a tremer intensamente.
Minha mente não parava, mas, ao mesmo tempo, eu sentia algo extremamente poderoso.
Uma energia doce, firme e acolhedora. Uma sensação de “você não está sozinho”.
Após o abraço, ela olhou nos meus olhos e disse:
“Você tem um cigano lindo do seu lado, doido para vir.”
Que sensação maravilhosa. Que luz. Que paz.
Sim… meu cigano foi a primeira energia que senti.
Mesmo sem ter incorporado, sem saber nada sobre ele, aquela experiência foi algo inexplicável.
Paz. Luz. Harmonia. E uma certeza: eu nunca mais seria o mesmo.


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