Depois de quatro meses frequentando com constância as tendas e giras, chegou o momento em que Maria Padilha olhou bem pra mim e disse com aquele jeitinho dela:
“Se eu pegar você falando que é ateu de novo, você vai ver o que vou fazer contigo.”
Hahaha! A partir dali, não teve mais volta.
Assumi: sou da Umbanda. (Não sou doido de contrariar, né?)
Logo depois disso, resolvi fazer um jogo de búzios para entender melhor meu caminho.
E que experiência maravilhosa!
Recebi muitas informações valiosas sobre minha vida pessoal e espiritual.
Uma delas foi justamente sobre meu caminho na espiritualidade — e junto a essa revelação, veio o convite para ser médium.
“Ah, é só colocar branco e ir atender, né?”
Não é. E muito longe disso.
Existe um trabalho físico, mental e espiritual muito intenso por trás de cada gira.
Para que tudo funcione bem — com leveza, harmonia e propósito — é preciso entrega de verdade.
Tudo ali é feito com amor para ajudar quem precisa, e isso exige preparo.
A dedicação de cada um na casa é essencial.
E o mais bonito é ver pessoas tão diferentes unidas por um só propósito, formando um grupo acolhedor e especial.
Claro, é natural se identificar mais com algumas pessoas do que com outras, mas na hora que a gira gira — é todo mundo junto, firme e forte, pelo bem comum.
O compromisso vai muito além da gira
A gente chega cedo, ajuda nas tarefas, limpa, organiza, prepara o ambiente.
A concentração é constante.
O preceito começa 24 horas antes, e não é pouca coisa:
- Evitar estresse
- Cuidar da alimentação
- Evitar bebida, sexo, festas, ambientes pesados
- Manter a mente e o coração no lugar
São muitas renúncias conscientes.
E sim, a vida pessoal também muda.
A gente passa a sentir mais, a perceber ataques, conexões espirituais e energias que antes ignorava… e muitas vezes, abrimos mão de certas experiências lá fora, porque escolhemos viver esse caminho aqui dentro.
Mas sabe de uma coisa?
Eu não escolheria outro caminho. De forma alguma.


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